Como vive um lixeiro na Suécia

O lixeiro sueco Mats Björnborg finalmente retorna meu telefonema, depois de duas semanas de espera. “Estava de férias”, desculpa-se ele. Agradeço a ligação, e pergunto onde foi o merecido descanso. “Fui esquiar em St. Anton, nos Alpes austríacos”, responde Mats, sem a mais pálida idéia da convulsão catatônica que sua declaração poderia desatar nos seletos círculos de brasileiros já arrepiados diante da possibilidade de esbarrar com o porteiro em Nova York.

Nossos policiais um dia serão iguais aos suecos?

“A polícia detém o monopólio da violência em um Estado. Deve, portanto, ter o mesmo grau de responsabilidade”. É a enésima vez que ouço esta frase na Suécia, onde avistar um policial na rua é mais raro do que água em São Paulo. Na tática para lidar com manifestantes, o mais importante para a polícia sueca não é vencer a guerra – e sim evitá-la. “A arma mais importante da polícia é a habilidade de dialogar com os manifestantes, e não a capacidade de reprimir”, diz o Comandante da Polícia Montada de Estocolmo, Ola Österling.

Toffoli: Gilmar tem 'todo o tempo' para refletir sobre financiamento de campanha

De Estocolmo: Jaz há dez meses na mesa de trabalho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o processo da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4.650, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o fim de proibir as doações de empresas a campanhas políticas. "Gilmar Mendes “tem todo o tempo para pensar e refletir”, disse em Estocolmo o presidente do TSE.

Como a polícia lida com protestos na Suécia

Já dizia Einstein que insanidade é fazer sempre a mesma coisa, e esperar resultados diferentes. Mas a cena se repete com demente precisão: uma polícia brutalizada, historicamente treinada para o confronto implacável com o bestial inimigo de seis patas, produz imagens e saldos de guerra nas manifestações populares nas ruas brasileiras, onde perder o olho ainda pode ser sinal de sorte. Em Estocolmo, um policial brasileiro conta como é trabalhar na polícia sueca: “Não estamos ali para complicar, e sim para facilitar o exercício do direito da pessoa de se manifestar”, diz Gustavo Fulgêncio.

Um país onde os congressistas não têm poder de decisão sobre seus salários

Quem mais tem o privilégio fabuloso de aumentar o próprio salário, a não ser o dono do negócio? Diz a Constituição brasileira que soberano é o povo, mas os venerandos parlamentares do nosso Congresso, que é o segundo Congresso mais caro do mundo, acabam de aprovar seu auto-aumento salarial para a próxima legislatura.

Como funciona a mente de um político na Suécia

Manda o espírito cristão exercer a compaixão neste período santo, em que tantos lamentos se ouviram no Congresso pela graça bendita, e sempre piedosamente atendida, de alcançar mais um reajuste salarial para os bem-aventurados juízes e representantes do povo brasileiro. Mas a razão clama por um sinal de que a decência existe, especialmente quando se sabe que o efeito cascata do reajuste dos supersalários produzirá em breve, e mais uma vez, o milagre da multiplicação dos salários em todas as instâncias do legislativo e do judiciário.

Como se forma um novo ministério na Suécia

No Brasil como em qualquer rincão do mundo, a nomeação de um novo ministério segue o enredo das melhores tramas – vilanias, futricagens, rompimentos ruidosos, meras suposições. Mas as palpitações que acometem candidatos a ministro na Suécia atingem escalas do porte de uma arritmia supra-ventricular. Um ministro sueco em potencial sabe, em geral, que não basta ter um currículo limpo: é preciso ser o branco total que prometem os detergentes mais poderosos.

Impostos são o preço que se paga por uma sociedade civilizada

Em sueco, a palavra ”skatt” tem dois significados, que no juízo apressado de um forasteiro podem parecer conceitos tão distantes entre si como o céu e o inferno: ”impostos” e ”tesouro”. Mas como qualquer espantado alienígena constata ao chegar à Suécia, o termo ”impostos” tem por aqui uma conotação visceralmente positiva. Na lógica da maioria dos suecos, assim como dos demais povos da Escandinávia, os tributos são o preço justo que se paga por uma sociedade mais humana, igualitária e harmônica – e por isso menos violenta. Mesmo quando se cobra, como é o caso escandinavo, um dos impostos mais elevados do planeta.

Como a mídia é regulada na Suécia

O Ombudsman sueco da Imprensa levanta uma sobrancelha, como se acabasse de ouvir um impropério ou um desvairado insulto pessoal. A pergunta é se o sistema de regulação da mídia na Suécia pode ser interpretado como algum tipo de censura ou cerceamento da liberdade de imprensa. ”Absolutamente não”, diz um quase raivoso Ola Sigvardsson. ”Trata-se,aqui, de proteger a ética”.

Eleição na Suécia: rivais não fazem ataques pessoais e dividem material

”Que tipo de sociedade queremos ser?”, berra a jovem militante sueca com seu megafone em uma rua movimentada do centro de Estocolmo. Faltam dois dias para o embate final das eleições na Suécia, e é feroz a disputa. Mais sedutor que acompanhar a batalha campal que se trava, porém, é observar o estilo sueco de se fazer campanha política: nos comícios das cidades menores, candidatos chegam a emprestar microfones e alto-falantes a adversários.

Como a Europa lida com pesquisas eleitorais

”Pesquisas eleitorais são problemáticas por natureza”, constata o cientista político sueco Olof Petersson, ”porque são o que são: estimativas, meras aproximações e amostras do que calcula-se que seja a verdade”. Pesquisas são também perigosas, observa o Ombudsman da Imprensa sueca, Ola Sigvardsson: ”Porque podem mudar o resultado de uma eleição”.

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