Como funciona a mente de um político na Suécia

Manda o espírito cristão exercer a compaixão neste período santo, em que tantos lamentos se ouviram no Congresso pela graça bendita, e sempre piedosamente atendida, de alcançar mais um reajuste salarial para os bem-aventurados juízes e representantes do povo brasileiro. Mas a razão clama por um sinal de que a decência existe, especialmente quando se sabe que o efeito cascata do reajuste dos supersalários produzirá em breve, e mais uma vez, o milagre da multiplicação dos salários em todas as instâncias do legislativo e do judiciário.

Como se forma um novo ministério na Suécia

No Brasil como em qualquer rincão do mundo, a nomeação de um novo ministério segue o enredo das melhores tramas – vilanias, futricagens, rompimentos ruidosos, meras suposições. Mas as palpitações que acometem candidatos a ministro na Suécia atingem escalas do porte de uma arritmia supra-ventricular. Um ministro sueco em potencial sabe, em geral, que não basta ter um currículo limpo: é preciso ser o branco total que prometem os detergentes mais poderosos.

Impostos são o preço que se paga por uma sociedade civilizada

Em sueco, a palavra ”skatt” tem dois significados, que no juízo apressado de um forasteiro podem parecer conceitos tão distantes entre si como o céu e o inferno: ”impostos” e ”tesouro”. Mas como qualquer espantado alienígena constata ao chegar à Suécia, o termo ”impostos” tem por aqui uma conotação visceralmente positiva. Na lógica da maioria dos suecos, assim como dos demais povos da Escandinávia, os tributos são o preço justo que se paga por uma sociedade mais humana, igualitária e harmônica – e por isso menos violenta. Mesmo quando se cobra, como é o caso escandinavo, um dos impostos mais elevados do planeta.

Como a mídia é regulada na Suécia

O Ombudsman sueco da Imprensa levanta uma sobrancelha, como se acabasse de ouvir um impropério ou um desvairado insulto pessoal. A pergunta é se o sistema de regulação da mídia na Suécia pode ser interpretado como algum tipo de censura ou cerceamento da liberdade de imprensa. ”Absolutamente não”, diz um quase raivoso Ola Sigvardsson. ”Trata-se,aqui, de proteger a ética”.

Eleição na Suécia: rivais não fazem ataques pessoais e dividem material

”Que tipo de sociedade queremos ser?”, berra a jovem militante sueca com seu megafone em uma rua movimentada do centro de Estocolmo. Faltam dois dias para o embate final das eleições na Suécia, e é feroz a disputa. Mais sedutor que acompanhar a batalha campal que se trava, porém, é observar o estilo sueco de se fazer campanha política: nos comícios das cidades menores, candidatos chegam a emprestar microfones e alto-falantes a adversários.

Como a Europa lida com pesquisas eleitorais

”Pesquisas eleitorais são problemáticas por natureza”, constata o cientista político sueco Olof Petersson, ”porque são o que são: estimativas, meras aproximações e amostras do que calcula-se que seja a verdade”. Pesquisas são também perigosas, observa o Ombudsman da Imprensa sueca, Ola Sigvardsson: ”Porque podem mudar o resultado de uma eleição”.

A diferença entre os nossos juízes e os juízes suecos

Publicado no Diário do Centro do Mundo - DCM Texto: Claudia…

A diferença entre os nossos juízes e os juízes suecos

As recentes notícias da Corte brasileira, data venia, desafiam soberbamente o limite da indignação do cidadão diante de atos estrambólicos de auto-ajuda praticados pelos guardiões da Justiça. A nível federal, o Conselho Nacional de Justiça autorizou o pagamento de auxílio-moradia a todos os juízes do país – incluindo aqueles que trabalham em suas cidades de origem, e têm residência própria.

O que aconteceria na Suécia com o juiz parado numa blitz no Rio

”Por que o Rei não fez o teste do bafômetro na hora?”, perguntou certa vez um repórter do jornal sueco Expressen ao Rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, no dia seguinte a um pequeno acidente de trânsito protagonizado pelo monarca. Um dia normal na Suécia, onde autoridades não têm complexo de Deus e a síndrome do ”você-sabe-com-quem-está-falando” é tão improvável quanto a volta dos mortos ou a autocrítica dos cretinos.
Interior da Câmara Municipal de Estocolmo / foto oficial

A diferença entre os salários dos parlamentares brasileiros e suecos

Quem mais tem o privilégio fabuloso de poder aumentar o próprio salário? No Brasil, o segundo Congresso mais caro do mundo ainda se considera insuficientemente remunerado, com o atual salário de 26,7 mil reais por mês - sem contar o auxílio-moradia de 3,8 mil e o "cotão" para gastos parlamentares, que chega até a 44,2 mil mensais.

Ex-Premier da Suécia chega de ônibus à Feira do Livro de Gotemburgo

A imagem da integridade: Ingvar Carlsson, legendário primeiro-ministro social-democrata da Suécia entre 1986-1991 e 1994-1996. Ingvar, que mora em uma modesta casa em Tyrelså, ao sul de Estocolmo, chegou de ônibus aqui na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo, que este ano homenageia o Brasil.

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