Vídeo: como funciona o inovador sistema de educação da Finlândia

Finlândia: um país onde o magistério é uma carreira de prestígio. Um modelo de excelência em educação pública. Um país onde a profissão de professor é mais concorrida do que a Medicina, o Direito e a Arquitetura. Um modelo de ensino que privilegia o raciocínio lógico - onde os alunos têm menos aulas e provas, mas estão entre os melhores do mundo. Um país que foi pobre até à década de 50 - mas que decidiu revolucionar a educação, e tornou-se uma das nações mais prósperas do mundo.

A receita do modelo educacional finlandês: pense diferente

“Sisu”, no impenetrável idioma finlandês, é uma palavra ingrata que desafia os neurônios de legiões de tradutores. Em português, talvez a forma mais eficaz de decifrar o termo seja compará-lo ao atributo peculiar dos maus perdedores de eleições no Brasil: resiliência sem fim, na determinação obstinada da busca do êxito mesmo em face do mais ribombante fracasso. Na Finlândia, “sisu” simboliza a própria alma do povo deste país, que enfrentou a dor da fome, das guerras, da dominação e da miséria até descobrir que a educação pública de qualidade era o caminho para quebrar o ciclo da pobreza. A revolução educacional promovida pela Finlândia a partir dos anos 70 coincidiu com uma impressionante transformação econômica deste país, que só conheceu o asfalto na década de 20 - e só conseguiu inaugurar seus primeiros 14 quilômetros de rodovia em 1963.

A diferença entre ser professor na Finlândia e no Brasil

Neste exótico país onde a polícia não pratica tiro ao alvo com professores, a sistemática política de valorização do magistério produz resultados capazes de espantar até um pitbull da PM: a carreira de professor na Finlândia tornou-se uma das principais preferências entre os jovens, à frente de profissões como medicina, direito e arquitetura. “O magistério na Finlândia é uma carreira de prestígio”, diz o professor Martti Mery na Escola Viikki, na capital finlandesa. “A profissão possui um alto status em nossa sociedade, que tem grande respeito e consideração pelos professores”, ele acrescenta.

O que o Brasil pode aprender em educação com a Finlândia?

Soltaram as bestas do Apocalipse, dirão os arautos do fim do mundo: nas escolas finlandesas, o filho do empresário e o filho do lixeiro estudam lado a lado, em um eficiente e igualitário sistema educacional que tornou-se um dos mais celebrados modelos de excelência em educação pública do mundo atual. É o chamado milagre finlandês, iniciado na década de 70 e produzido em sua maior exuberância a partir dos anos 90. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre, elitista e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis a países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que alçou o país para o topo dos rankings mundiais de desempenho estudantil, e alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada onde antes jazia uma sociedade substancialmente agrária.

"Isto é imoral": juiz sueco analisa rendimentos de Moro e colegas

Quanto vale, data venia, um juiz? A dúvida é tão dilacerante quanto a atual temporada sueca de degustação do surströmming, o arenque do Báltico fermentado que tem o inominável odor de mil esgotos destampados. Chamo um magistrado sueco em busca de algum bom senso, e tento explicar o inexplicável: no Brasil, digo a ele, juízes e procuradores da República descumprem a Constituição ao receber vencimentos que excedem esplendidamente o teto salarial permitido por lei, valendo-se de anabolizantes como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e auxílio-saúde. “Isto é imoral”, diz o juiz Thed Adelswärd, especialista em ética jurídica.

Vídeo: na Suécia, vereadores e deputados regionais não têm direito a salário

No Brasil, os movimentos populares pela redução dos salários dos vereadores chegam a três cidades do Paraná - Londrina, Santo Antônio da Platina e Jacarezinho. Vale lembrar: na Suécia e em grande parte dos países do mundo, vereadores não recebem nenhum salário. Na Suécia, deputados regionais também não têm direito a salário: a nível municipal e regional, a representação política na Suécia é considerada uma atividade a ser exercida em paralelo a um emprego remunerado, de onde todo político deve tirar seu próprio sustento. ”Na Suécia, a função de vereador é considerada um trabalho voluntário”, diz Hanna Brogren, Diretora de Comunicação da Prefeitura de Estocolmo.

O escândalo da deputada sueca que pegou táxi em vez de tomar o trem

Ao cruzar a fronteira da imprudência, a deputada Mikaela Valtersson (Partido Verde, Miljöpartiet) virou notícia em vários jornais: Mikaela cometeu o desatino de gastar o dinheiro do contribuinte pegando táxi, em vez de tomar o trem. Segundo o jornal Expressen, a investigação das despesas da deputada mostrou que em 2011 ela pegou táxi 43 vezes durante um período de seis meses, ”a um custo de 17 mil coroas (cerca de 2,6 mil dólares) do dinheiro do contribuinte, apesar de morar perto de uma estação de trem”. Políticos e juízes suecos não têm o exótico privilégio de circular em carros com motorista pagos com o dinheiro do cidadão: aos parlamentares apenas, dá-se a regalia de receber um cartão anual para viajar gratuitamente nos transportes públicos. ”O Presidente do Parlamento também vem de metrô para o trabalho”, diz Maria Skuldt, da Secretaria de Imprensa do Parlamento.

O escândalo do apartamento funcional do político sueco

Na Suécia, o erário paga apartamentos funcionais exclusivamente para parlamentares: se a esposa de um deputado do interior decide viver no apartamento funcional da capital com o marido, cabe a ela arcar com a metade do valor do aluguel. ”É claro que não pagamos para ninguém morar de graça, a não ser os parlamentares com base eleitoral fora da capital”, diz Anna Aspegren, a chefe do setor no Parlamento sueco. A cônjuges de deputados, familiares, namorados e afins, é negado o benefício de morar ou até mesmo pernoitar em propriedade do Estado sem pagar. Em 2011, o líder do Partido Social-Democrata, Håkan Julholt, sapateou nas regras. E enfrentou as consequências.

Juiz sueco: "É inacreditável que juízes brasileiros tenham o descaramento de se auto-conceder benefícios como auxílio-alimentação"

Ab ovo, desde o princípio dos tempos ditos civilizados, quid latine dictum sit altum sonatur, tudo que é dito em latim soa profundo nas egrégias Cortes da Justiça. Mas hic et nunc, neste instante, os linguistas mais perplexos com os atos de auto-caridade praticados pelo Judiciário do Brasil já estarão se perguntando, data venia, se não é chegada a hora de ampliar a definição do conceito de pornografia nos dicionários brasileiros. "É absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”, diz Göran Lambertz, um dos 16 juízes da Suprema Corte da Suécia.

Como vive uma faxineira na Suécia

A polonesa Beata Romanowicz é a minha ajudante providencial das faxinas quinzenais, mas nem sempre está a postos. Nos finais de semana, ela costuma desaparecer como um Aécio em dia de manifestação pró-impeachment. É quando Beata e o marido, o pedreiro Jacek, saem para passear no arquipélago sueco a bordo do barco do casal, um confortável Bayliner americano de dez metros de comprimento. Nos dias em que vem trabalhar, ela chega em minha casa ao volante de um BMW conversível. Mas como qualquer habitante desta terra gelada, Beata também sofre de uma aguda síndrome de girassol que a faz jogar-se em um vôo promocional para destinos ensolarados, a cada vez que os termômetros caem demais e o orçamento permite. Em janeiro, auge do inverno sueco, ela escapou para a ilha espanhola de Tenerife ao lado do marido.

A Suécia e o fim do dinheiro de papel: é a nova era da Cashless Society

“Não aceitamos dinheiro”, diz o caixa da loja de acessórios de computador no centro da capital sueca, Estocolmo. Ele me olha com certo espanto, como se meu gesto de tirar dinheiro vivo da carteira já tivesse sido fossilizado em algum museu de cera como memória de um passado selvagem. É o princípio da era da Cashless Society, a Sociedade Sem Dinheiro, e a Suécia lidera a tendência no planeta: quatro entre cada cinco transações de compra no país são feitas hoje eletronicamente, ou através de cartões.

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