Como são os apartamentos funcionais dos políticos na Suécia

Se um sueco de virtudes negociáveis é assaltado pelo desejo súbito de trabalhar pelo povo, o apartamento funcional não será um dos estímulos a seduzi-lo, como serpente encantada, para a carreira política. Parlamentares suecos vivem em apartamentos funcionais que têm em média 45,6 metros quadrados. Os menores têm 16,6 metros quadrados. Do total de 197 imóveis administrados pelo Parlamento sueco, apenas oito dispõem de espaço entre 70 e 90 metros quadrados, e somente 85 têm área superior a 45,6 metros quadrados. Deputados suecos também vivem em quitinetes funcionais. Sim, há quitinetes funcionais na Suécia.

Vídeo: Como vive um juiz da Suprema Corte da Suécia

“Não almoço às custas do dinheiro do contribuinte”, diz um dos juízes da Suprema Corte da Suécia, Göran Lambertz, quando pergunto a ele se magistrados suecos têm direito a benefícios como auxílio-alimentação. Nenhum juiz sueco têm direito a auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-alimentação, abono de permanência, prêmios, gratificações extras ou carro oficial com motorista. “Luxo pago com dinheiro do contribuinte é imoral”, rebate Lambertz, que todo dia pedala até a estação ferroviária e pega um trem para o trabalho - na instância suprema do Poder Judiciário.

Como vive um lixeiro na Suécia

O lixeiro sueco Mats Björnborg finalmente retorna meu telefonema, depois de duas semanas de espera. “Estava de férias”, desculpa-se ele. Agradeço a ligação, e pergunto onde foi o merecido descanso. “Fui esquiar em St. Anton, nos Alpes austríacos”, responde Mats, sem a mais pálida idéia da convulsão catatônica que sua declaração poderia desatar nos seletos círculos de brasileiros já arrepiados diante da possibilidade de esbarrar com o porteiro em Nova York.

Nossos policiais um dia serão iguais aos suecos?

“A polícia detém o monopólio da violência em um Estado. Deve, portanto, ter o mesmo grau de responsabilidade”. É a enésima vez que ouço esta frase na Suécia, onde avistar um policial na rua é mais raro do que água em São Paulo. Na tática para lidar com manifestantes, o mais importante para a polícia sueca não é vencer a guerra – e sim evitá-la. “A arma mais importante da polícia é a habilidade de dialogar com os manifestantes, e não a capacidade de reprimir”, diz o Comandante da Polícia Montada de Estocolmo, Ola Österling.

Toffoli: Gilmar tem 'todo o tempo' para refletir sobre financiamento de campanha

De Estocolmo: Jaz há dez meses na mesa de trabalho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o processo da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4.650, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o fim de proibir as doações de empresas a campanhas políticas. "Gilmar Mendes “tem todo o tempo para pensar e refletir”, disse em Estocolmo o presidente do TSE.

Como a polícia lida com protestos na Suécia

Já dizia Einstein que insanidade é fazer sempre a mesma coisa, e esperar resultados diferentes. Mas a cena se repete com demente precisão: uma polícia brutalizada, historicamente treinada para o confronto implacável com o bestial inimigo de seis patas, produz imagens e saldos de guerra nas manifestações populares nas ruas brasileiras, onde perder o olho ainda pode ser sinal de sorte. Em Estocolmo, um policial brasileiro conta como é trabalhar na polícia sueca: “Não estamos ali para complicar, e sim para facilitar o exercício do direito da pessoa de se manifestar”, diz Gustavo Fulgêncio.

Um país onde os congressistas não têm poder de decisão sobre seus salários

Quem mais tem o privilégio fabuloso de aumentar o próprio salário, a não ser o dono do negócio? Diz a Constituição brasileira que soberano é o povo, mas os venerandos parlamentares do nosso Congresso, que é o segundo Congresso mais caro do mundo, acabam de aprovar seu auto-aumento salarial para a próxima legislatura.

Como funciona a mente de um político na Suécia

Manda o espírito cristão exercer a compaixão neste período santo, em que tantos lamentos se ouviram no Congresso pela graça bendita, e sempre piedosamente atendida, de alcançar mais um reajuste salarial para os bem-aventurados juízes e representantes do povo brasileiro. Mas a razão clama por um sinal de que a decência existe, especialmente quando se sabe que o efeito cascata do reajuste dos supersalários produzirá em breve, e mais uma vez, o milagre da multiplicação dos salários em todas as instâncias do legislativo e do judiciário.

Como se forma um novo ministério na Suécia

No Brasil como em qualquer rincão do mundo, a nomeação de um novo ministério segue o enredo das melhores tramas – vilanias, futricagens, rompimentos ruidosos, meras suposições. Mas as palpitações que acometem candidatos a ministro na Suécia atingem escalas do porte de uma arritmia supra-ventricular. Um ministro sueco em potencial sabe, em geral, que não basta ter um currículo limpo: é preciso ser o branco total que prometem os detergentes mais poderosos.

Impostos são o preço que se paga por uma sociedade civilizada

Em sueco, a palavra ”skatt” tem dois significados, que no juízo apressado de um forasteiro podem parecer conceitos tão distantes entre si como o céu e o inferno: ”impostos” e ”tesouro”. Mas como qualquer espantado alienígena constata ao chegar à Suécia, o termo ”impostos” tem por aqui uma conotação visceralmente positiva. Na lógica da maioria dos suecos, assim como dos demais povos da Escandinávia, os tributos são o preço justo que se paga por uma sociedade mais humana, igualitária e harmônica – e por isso menos violenta. Mesmo quando se cobra, como é o caso escandinavo, um dos impostos mais elevados do planeta.

Como a mídia é regulada na Suécia

O Ombudsman sueco da Imprensa levanta uma sobrancelha, como se acabasse de ouvir um impropério ou um desvairado insulto pessoal. A pergunta é se o sistema de regulação da mídia na Suécia pode ser interpretado como algum tipo de censura ou cerceamento da liberdade de imprensa. ”Absolutamente não”, diz um quase raivoso Ola Sigvardsson. ”Trata-se,aqui, de proteger a ética”.

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