O dia em que ministros e políticos suecos se mudaram para a casa dos cidadãos

Com a pouca sanidade que me resta, posso jurar que vi agora há pouco, na TV sueca, um deputado do Parlamento preparando-se para dormir na sala da casa de uma cidadã sueca. Ele se ajeita como pode em uma velha dragoflex, aquela cama dobrável de lona. “Amanhã o Eliott (o cachorro) vai acordá-lo com umas lambidas”, avisa a dona da casa. Consulto o termômetro para verificar o grau desta febre de inverno que me ataca, pois ando, como o Cavaleiro de Bergman, jogando xadrez com a morte. Não, não é alucinação: trata-se da nova série da TV pública sueca, que leva o nome de “Makt Hos Mig” - ou “O Poder na Minha Casa”. A ideia sueca: oito políticos pesos-pesados do Parlamento mudam-se durante um dia para a casa de jovens eleitores, com diferentes backgrounds e questões, para ouvir a sua voz. O time escalado incluiu a então Vice-Primeira-Ministra e ministra do Meio-Ambiente do país, Åsa Romson; o ministro do Interior, Anders Ygeman, e a líder do Centerpartiet (Partido do Centro), Annie Lööf.

App de voluntários que fazem pente-fino em gastos de deputados produz primeira devolução de dinheiro público

Pelo menos uma boa notícia: um aplicativo criado por um grupo de voluntários de Brasília para monitorar os gastos de deputados produziu seu primeiro resultado - o deputado federal Celso Maldaner (PMDB-SC) devolveu R$ 727,78, referentes a 13 refeições feitas no mesmo dia e pagas com dinheiro da Câmara dos Deputados.

O mito do déficit da Previdência no Brasil - e por que não se fala em rombo na Dinamarca

Se a Dinamarca apresentasse à sua população o mesmo método de cálculo que o Brasil apresenta aos seus cidadãos, os dinamarqueses estariam convencidos de que enfrentam um rombo amazônico no seu sistema de Previdência. E por que não estão? Quem explica é o professor do Instituto de Economia da Unicamp Eduardo Fagnani - que afirma, assim como a economista da UFRJ Denise Gentil demonstrou em suas pesquisas, que o rombo da Previdência é um mito.

Reforma da previdência na Finlândia: renda mínima para todos os cidadãos

Enquanto o governo interino do Brasil se dedica a suprimir direitos sociais a golpes de caneta e cacetete, eis a questão que superaquece os neurônios finlandeses neste cruel inverno nórdico: se o governo der aos cidadãos dinheiro suficiente para pagar as contas do mês, será que eles ficarão em casa jogando a viciante invenção nacional, o Angry Birds? Ou continuarão acordando para trabalhar e fazer coisas produtivas? O enigma paira sobre o mais novo experimento social projetado pela Finlândia - a introdução de uma renda mínima universal para todos os habitantes do país. O teste da proposta começa em janeiro de 2017.

Vídeo: o inclusivo design da Finlândia

O arrojado design finlandês ganhou projeção na década de 30 com o estilo que é chamado por aqui de "funkis", o funcionalismo escandinavo. Um movimento que abraçou os ideias nórdicos da igualdade social, e a ideia de que o design deve ser para todos os cidadãos - de todas as classes sociais.

O dia em que deputados suecos aceitaram viver uma semana com a renda de um aposentado

“Chegou a vez dos políticos roerem o osso”, leio certo dia na primeira página do Veteran, o jornal da combativa organização nacional dos idosos da Suécia. Explica-se a euforia: quatro deputados do Parlamento haviam aceitado o desafio de sobreviver durante uma semana com o magro orçamento de um aposentado. Em se tratando de inigualável espetáculo com garantida produção de endorfinas, decidi juntar-me à legião de idosos que passou a acompanhar avidamente, nas redes sociais dos deputados, os sete dias de agruras do poder. O entretenimento político aconteceu no último inverno, e volta à minha mente neste momento em que o inovador Governo brasileiro se prepara para enviar ao Congresso a proposta de aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres.

A vida de um trabalhador na Suécia: direitos garantidos e até jornada de 6 horas

Estranhamente, e na contramão das reformas trabalhistas preconizadas pelo visionário governo interino do Brasil, parece que nem os políticos e nem os empresários da Suécia estão interessados em levar seu país de volta à Idade da Pedra Lascada. “Não soa mais certo, em pleno 2016, trabalhar de 8 da manhã às 5 da tarde. Especialmente quando se sabe que grande parte deste tempo é desperdiçado na jornada”, diz Maria Westling, diretora da startup Brath – uma das várias empresas e municipalidades da Suécia que resolveram testar a jornada de seis horas de trabalho, na esteira da bem-sucedida experiência adotada desde 2002 pela fábrica da montadora Toyota na cidade de Gotemburgo.

Como a Suécia evita a corrupção em empresas estatais

O auditor sueco me ouve com aquela expressão de quem tenta medir o QI do seu interlocutor. A pergunta é - como evitar a corrupção em empresas estatais, e impedir sua utilização como pólos de transferência de recursos públicos para grupos privados bem conectados com o poder político? A resposta, ele diz, é elementar. “É para isso que servem auditorias independentes, regulares e transparentes sobre as operações das estatais. E quero dizer auditorias verdadeiramente independentes, que façam não apenas um trabalho de fiscalização, mas também de promoção da eficiência”, observa Dimitrios Ioannidis, um dos chefes responsáveis pela fiscalização das estatais da Suécia.

O Fundo do Petróleo norueguês e o Pré-Sal brasileiro

A essa altura, os noruegueses poderiam estar razoavelmente desesperados, ou já tramando algum pacto de suicídio. Os preços do petróleo despencam como uma jaca madura, e a Noruega deve sua riqueza e bem-estar ao ouro negro. Mas não se fala em crise no país. Por quê? Porque nos anos 90 a Noruega criou um Fundo do Petróleo (o “Oljefondet”), a fim de economizar a fabulosa fortuna do petróleo e assim assegurar o bem-estar dos cidadãos e das gerações futuras. É o modelo que serviu de inspiração, em parte, para o fundo brasileiro do pré-sal.

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