A vida de um trabalhador na Suécia: direitos garantidos e até jornada de 6 horas

Estranhamente, e na contramão das reformas trabalhistas preconizadas pelo visionário governo interino do Brasil, parece que nem os políticos e nem os empresários da Suécia estão interessados em levar seu país de volta à Idade da Pedra Lascada. “Não soa mais certo, em pleno 2016, trabalhar de 8 da manhã às 5 da tarde. Especialmente quando se sabe que grande parte deste tempo é desperdiçado na jornada”, diz Maria Westling, diretora da startup Brath – uma das várias empresas e municipalidades da Suécia que resolveram testar a jornada de seis horas de trabalho, na esteira da bem-sucedida experiência adotada desde 2002 pela fábrica da montadora Toyota na cidade de Gotemburgo.

Como a Suécia evita a corrupção em empresas estatais

O auditor sueco me ouve com aquela expressão de quem tenta medir o QI do seu interlocutor. A pergunta é - como evitar a corrupção em empresas estatais, e impedir sua utilização como pólos de transferência de recursos públicos para grupos privados bem conectados com o poder político? A resposta, ele diz, é elementar. “É para isso que servem auditorias independentes, regulares e transparentes sobre as operações das estatais. E quero dizer auditorias verdadeiramente independentes, que façam não apenas um trabalho de fiscalização, mas também de promoção da eficiência”, observa Dimitrios Ioannidis, um dos chefes responsáveis pela fiscalização das estatais da Suécia.

O Fundo do Petróleo norueguês e o Pré-Sal brasileiro

A essa altura, os noruegueses poderiam estar razoavelmente desesperados, ou já tramando algum pacto de suicídio. Os preços do petróleo despencam como uma jaca madura, e a Noruega deve sua riqueza e bem-estar ao ouro negro. Mas não se fala em crise no país. Por quê? Porque nos anos 90 a Noruega criou um Fundo do Petróleo (o “Oljefondet”), a fim de economizar a fabulosa fortuna do petróleo e assim assegurar o bem-estar dos cidadãos e das gerações futuras. É o modelo que serviu de inspiração, em parte, para o fundo brasileiro do pré-sal.

Líder sueco: crise no Brasil é oportunidade ideal para pacto nacional e reforma política

“O conflito político no Brasil é extremamente alarmante. Por outro lado, ele representa uma oportunidade ideal para convocar os partidos políticos e a sociedade a realizar uma ampla e positiva agenda de reformas no país”, avalia o social-democrata Björn von Sydow, ex-presidente do Parlamento sueco e atual vice-presidente da Comissão de Constituição parlamentar. O momento exige um pacto suprapartidário a fim de alcançar um consenso de união nacional: “Porque a situação é de tal maneira caótica, que os partidos políticos brasileiros devem perceber que nenhum deles é forte o suficiente para encerrar a crise sem o apoio de todos os demais“, ele observa. "E é o momento para mobilizar também diferentes setores da sociedade civil em torno de um plano de reformas constitucionais, econômicas e políticas, incluindo a reforma dos partidos políticos”, diz o deputado, que esteve recentemente no olho do furacão da crise brasileira, em visita a Brasília.

Juiz da Suprema Corte sueca: sem juízes imparciais, não pode haver Justiça no Brasil

“É extremamente importante que juízes de todas as instâncias, em respeito à democracia e à ordem jurídica e constitucional, atuem com total imparcialidade. Caso contrário, não haverá razão para a sociedade confiar nem em seus juízes, e nem em seus julgamentos”, pontua o juiz sueco Göran Lambertz. Um dos 16 integrantes da Suprema Corte da Suécia, Lambertz vê com preocupação a atual crise no Brasil: “À distância, tem sido difícil entender o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. Mas preciso dizer que me parece, de modo geral, que alguns atores do processo legal que se desenvolve no Brasil não são totalmente independentes em relação aos aspectos políticos do caso.”

Como os escandinavos tratam os presos

O ideário nórdico sobre os direitos de um prisioneiro é de fazer um justiceiro brasileiro hiperventilar. Só recolhendo os cacos de muitas verdades absolutas será possível tentar compreender a atordoante notícia que trazem os jornais noruegueses: Anders Behring Breivik, autor confesso do massacre brutal que chocou o mundo em 2011, vai processar o governo da Noruega. De dentro da prisão. Breivik diz que seus direitos humanos estão sendo violados na penitenciária. E será ouvido. Assim como dita a lei para todos os presos na Noruega, a Anders Breivik deve ser dado o direito de ir à Justiça defender seus direitos.

Na Suécia, igrejas pagam impostos

Grandes coisas fez o Senhor pelos pastores do Brasil neste ano da graça de 2015, e por isso eles estão alegres. Pois assim disse a eles a Nossa Senhora da Perpétua Isenção Fiscal: vinde a mim, e eu vos aliviarei. E no quinto mês, Eduardo Cunha das Mercês e sua falange evangélica afastaram de vez das igrejas o demônio dos impostos que agora só atormenta os ímpios, aleluia. Desgraçados são os profanos suecos - ó homens de pouca fé! -, porque deles o tinhoso continuará a cobrar o seu quinhão. “É claro que pagamos impostos”, diz a pastora sueca Ulla Marie Gunner, com a naturalidade com que um Malafaia pede o cartão de crédito de um fiel. “Jesus já disse: ‘dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus’”, recita a pastora na igreja evangélica Immanuelskyrkan, no centro de Estocolmo.

O jeito escandinavo de lidar com mau uso de dinheiro público

Quem lê o noticiário político da Escandinávia, encontra evidências comprobatórias de que Eduardo Cunha e seus yahoos do Congresso dariam um rim para viver longe do exótico conceito nórdico de democracia. Os fatos recentes: um dia depois de cidadãos terem denunciado à polícia o Ministro da Defesa da Dinamarca, Carl Host, ele renunciou ao cargo. Agora, diante de novas acusações sobre mau uso do dinheiro público, Holst acaba de afastar-se também - voluntariamente, e sem ser empurrado - de sua cadeira no Parlamento dinamarquês. Na Dinamarca, assim como na Suécia, qualquer cidadão pode fazer uma denúncia criminal na polícia contra qualquer político. Nestes estranhos países, onde a ideia de que todos são iguais perante a lei não é tratada como um mero verso da Constituição, políticos acusados de práticas ilícitas não têm o privilégio da imunidade parlamentar ou do foro privilegiado - e todos têm a decência de afastar-se dos cargos, diante de qualquer acusação grave, até prova em contrário.

O que aconteceria com Eduardo Cunha se ele fosse deputado na Suécia

As trevas que escurecem os céus às três e meia da tarde, neste nebulento outono sueco, são um convite a conversas e especulações tenebrosas. Lanço a pergunta aos meus convivas: e se o impoluto Presidente do Parlamento sueco, num delírio lancinante, abrisse quatro contas secretas na Suíça, mentisse para os nobres colegas da Câmara e se tornasse personagem de uma investigação das autoridades suíças sobre corrupção passiva e lavagem de dinheiro? “Eu seria a primeira cidadã a entrar com uma ação judicial contra ele”, responde a nossa anfitriã da tarde, que durante seis anos foi a porta-voz do primeiro-ministro sueco. À volta da mesa, os demais comensais, incluindo um ex-deputado, balançam a cabeça em sinal afirmativo. Sim: na Suécia, qualquer cidadão tem o direito de se dirigir à polícia, ou à Procuradoria Geral de Justiça, e apresentar uma denúncia criminal contra qualquer político.

Como funciona o direito de resposta na Suécia

Fontes inquestionadamente fidedignas e ilibadas teriam dito que, inapelavelmente, um suspeito deveria ser evidentemente um culpado, dado que haveria ou poderia ou saberia ter cometido um suposto ilícito que seria, com toda a certeza, o pior de que já se teria tido notícia neste nosso mundo irremediavelmente cão. Mas o que a teoria sueca diz, sobre um suspeito, é mais simples de entender do que o teorema da carne moída do presidente do Congresso: um suspeito é, até que evidências factuais indiquem o contrário, apenas um suspeito. É por esta exótica lógica que o direito de resposta de um indivíduo criticado ou acusado pela mídia, assim como a não divulgação da identidade de um suspeito pelos órgãos de comunicação, são dois princípios sagrados do Código de Ética da Imprensa, do Rádio e da Televisão da Suécia.

Vídeo: como funciona o inovador sistema de educação da Finlândia

Finlândia: um país onde o magistério é uma carreira de prestígio. Um modelo de excelência em educação pública. Um país onde a profissão de professor é mais concorrida do que a Medicina, o Direito e a Arquitetura. Um modelo de ensino que privilegia o raciocínio lógico - onde os alunos têm menos aulas e provas, mas estão entre os melhores do mundo. Um país que foi pobre até à década de 50 - mas que decidiu revolucionar a educação, e tornou-se uma das nações mais prósperas do mundo.

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