Suecos vão às urnas em eleições diretas para a cúpula da Igreja

Claudia Wallin, de Estocolmo para a BBC Brasil - Na democracia sueca, a Igreja também tem seu dia de eleições gerais: neste domingo, cidadãos suecos vão às urnas para escolher os representantes da cúpula da Igreja da Suécia (Svenska kyrkan), a instituição protestante de confissão luterana que é a maior organização religiosa do país. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à instituição elegem uma espécie de “Parlamento” da Igreja Sueca - que é composto tanto por representantes do clero como por leigos.

Estatal sueca dá férias extras a funcionários que se exercitam

Enquanto no Brasil a reforma trabalhista suprime direitos sociais históricos, na Suécia uma empresa estatal decidiu criar um prêmio sedutor para incentivar os trabalhadores a cuidarem mais da saúde: os funcionários que se exercitarem nas horas livres podem ganhar até uma semana extra de férias por ano. A iniciativa é da Mimer, a agência de habitação da cidade de Västerås, situada a cerca de cem quilômetros da capital sueca. Trata-se de uma proposta generosa - até porque, por força das leis trabalhistas da Suécia, os suecos já têm direito a pelo menos cinco semanas de férias por ano.

Como funcionam as leis trabalhistas na Suécia

“Se um trabalhador estiver de férias e ficar doente, isto significa que ele não vai poder aproveitar as férias”, comenta, candidamente, Natali Sial, assessora do Ministério do Trabalho da Suécia. “Por isso, na Suécia todo trabalhador que passa por esta situação tem direito a licença médica durante as férias, e a negociar com o patrão a possibilidade de ou estender a data da volta ao trabalho ou a tirar como folga, em outra ocasião, os dias em que ficou de cama”.Poderão os céticos compulsivos pensar que se trata de piada de salão sueco. Mas assim raciocina o Ministério do Trabalho de um país que tem um dos mais generosos direitos trabalhistas do mundo - o que, ao contrário do que supõem os filósofos do facebook, também pode ser bom para os negócios: uma das mais pujantes economias mundiais, a Suécia desponta ainda na sexta posição do Índice Global de Competitividade.

É preciso falar mais sobre democracia direta

O que fazer diante do bestial roteiro de descalabros encenado pela proto-democracia brasileira? Pergunte aos islandeses, por exemplo. Eles vão dizer que um dos caminhos é exigir voz e reinventar as regras do jogo da democracia representativa, esta velha senhora que já anda necessitada de uma prótese de quadril: a ideia é apostar em modelos políticos mais participativos, que conduzam a uma democracia real. É o que também buscam movimentos nascidos em países como a Espanha e a França, e em certo grau é também o que já fazem há tempos os suíços, com suas iniciativas populares e referendos.

“Vai pra Suécia” - vereadores de Pelotas protestam contra colega que abriu mão de verba

Pela primeira vez, um político brasileiro sobe à tribuna com o livro “Um País Sem Excelências e Mordomias” nas mãos, para falar sobre o exemplo sueco de respeito ao dinheiro público: na Câmara Municipal da cidade de Pelotas (RS), o vereador Daniel Trzeciak (PSDB) esgrimiu o livro para anunciar que renunciou à verba de gabinete - uma quantia anual de R$ 21 mil destinada a gastos com cópias de xerox, correios, telefone celular. Algumas coisas que Daniel ouviu dos colegas vereadores:"Vai morar na Suécia". "Fecha o gabinete, apaga a luz, deixa de tomar café".

O exilado do golpe de 64 que nunca voltou da Suécia: "tenho medo"

Claudia Wallin, para a BBC Brasil - "Agora sim, estou em paz. O medo passou", pensou o gaúcho Jadir Schwans Bandeira a bordo do avião, naquela tarde de 17 de fevereiro de 1975. O voo da Sabena que o levava para o exílio na Suécia iniciava os procedimentos para o pouso na capital sueca, Estocolmo. Era o último e mais seguro porto da rota de fuga de Jadir, que após o golpe militar de 1964 se refugiara primeiro no Uruguai, e em seguida na Argentina. “Cada geração tem que lutar pela sua democracia", diz Jadir.

Escândalo na Suécia: deputado usa milhas do cartão que parlamentares recebem para usar transportes públicos

Claudia Wallin, de Estocolmo para a BBC Brasil - Um escândalo político reverbera nas manchetes de toda a mídia na Suécia: para horror de todos, o deputado Tomas Tobé usou, em benefício próprio, as milhas acumuladas no cartão que o Estado paga aos parlamentares para utilizarem gratuitamente os trens e transportes públicos do país. Secretário-executivo do Partido Moderado (conservador), Tobé usou os pontos de seu cartão para pagar um saco de amendoim, uma refeição, vinho e água, além de oito bilhetes de trem para viagens de caráter pessoal. O valor total da imprudência: 10,865 coroas suecas - o equivalente a cerca de 3,8 mil reais.

Vídeo: Brasil, o país dos políticos com mordomia

Em parceria com o Cartas da Suécia, o site Congresso em Foco uniu em um só vídeo a realidade da vida de um político em dois mundos paralelos: Brasil e Suécia. Veja a diferença entre os apartamentos funcionais de parlamentares brasileiros e suecos.

A menina pobre que viveu em caverna no Brasil e virou escritora de sucesso na Suécia

Claudia Wallin, de Estocolmo para a BBC Brasil -"Christiana, me prometa uma coisa. Aconteça o que acontecer na sua vida, nunca pare de caminhar", disse certa vez sua mãe, naqueles tempos miseráveis em que ela se chamava Christiana Mara Coelho. Sua primeira casa foi uma caverna no Parque Estadual do Biribiri, perto da cidade mineira de Diamantina. A segunda, uma favela de São Paulo. Mas quando ela tinha oito anos de idade, tudo iria mudar: um dos "pássaros de metal" que ela via voar no céu de São Paulo a levou para a Suécia, ao lado dos pais adotivos. E ela passou a se chamar Christina Rickardsson. A história das duas vidas de Christina se tornou um best-seller na cena literária da Suécia, com título dedicado às palavras da mãe - "Sluta Aldrig Gå" ("Nunca Pare de Caminhar").

Veja como são os apartamentos funcionais de deputados no Brasil e na Suécia

Assista os vídeos: no Brasil, o apartamento funcional de um deputado tem 225 metros quadrados, quatro quartos - sendo duas suítes - e até banheira de hidromassagem. E mais: o atraso na reforma dos apartamentos funcionais já causaram prejuízos de 180 milhões de reais. O custo da reforma de cada apartamento está em R$ 700 mil. Obras já consumiram R$ 122 milhões e devem durar mais 12 anos. Na Suécia, os apartamentos funcionais dos deputados têm apenas um cômodo, chegam a ter 18 metros quadrados e não há sequer máquina de lavar: as lavanderias são comunitárias.

Vídeo: o hotel na Suécia onde detentos tiram férias da prisão

Todos podem levar a família para a colônia de férias: a ideia é oferecer aos presos a perspectiva de uma vida normal e melhor, fora da criminalidade. Um dos detentos diz que ser bem tratado faz com que ele se torne uma pessoa melhor. E que a chance de estudar na prisão deu a ele até um diploma universitário - o primeiro de toda a família.

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