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Vídeo: Brasil, o país dos políticos com mordomia

Em parceria com o Cartas da Suécia, o site Congresso em Foco uniu em um só vídeo a realidade da vida de um político em dois mundos paralelos: Brasil e Suécia. Veja a diferença entre os apartamentos funcionais de parlamentares brasileiros e suecos.

Conheça o livro “Um País Sem Excelências e Mordomias”

Do Congresso em Foco:

Por Lucio Vaz e Edson Sardinha

Enquanto a Câmara discute se simplesmente reforma – ao custo de R$ 700 mil a unidade – ou divide em dois os apartamentos funcionais de 225 metros quadrados, na  Suécia os deputados federais se acomodam em apartamentos ou quitinetes de 18 a 40 metros quadrados. Em vez do conforto dos quatro quartos, sendo duas suítes – uma delas com banheiro da hidromassagem –, como ocorre no Brasil, os parlamentares suecos dormem num sofá-cama. Nada de despesas de TV a cabo, telefone ou manutenção à custa do contribuinte. Nada de funcionários.

Os apartamentos menores no país nórdico são do tamanho da área de serviço dos imóveis funcionais brasileiros. As informações sobre as acomodações dos parlamentares suecos são da jornalista brasileira Cláudia Wallin, que mora no país escandinavo há dez anos, autora de livro sobre o assunto e do site Cartas da Suécia. No Brasil, como mostrou o Congresso em Foco, a reforma dos apartamentos funcionais da Câmara já consumiu R$ 122 milhões.

Os deputados brasileiros recebem da Câmara eletrodomésticos como fogão, geladeira, microondas. Lá, os parlamentares não contam nem mesmo com máquina de lavar. Precisam marcar hora na lavanderia coletiva do bloco para lavar roupa suja. As cozinhas também são comunitárias, sem direito a qualquer empregado. Todos têm de seguir uma regra básica: deixar tudo limpo depois de usar.

Até a década de 90 não havia apartamento funcional na Suécia. Os deputados dormiam num sofá-cama no próprio gabinete parlamentar, de 18 metros quadrados. Até hoje, eles não têm direito a assessor nem secretária e não contam com carro nem motorista. Passagens aéreas, só para quem mora longe da capital. O primeiro-ministro segue a mesma rotina: lava e passa a própria roupa. O salário deles também é inferior ao de um congressista brasileiro: algo em torno de R$ 22 mil (62 mil coroas suecas). No Brasil, os parlamentares têm salário de R$ 33,7 mil.

Na Suécia, o parlamentar que não quiser morar em apartamento ou quitinete funcional pode alugar um imóvel por conta própria e cobrar do Parlamento o ressarcimento correspondente ao valor do aluguel. Nesse caso, os deputados recebem até 8 mil coroas suecas (cerca de R$ 2,8 mil) para custear a locação. A quantia é considerada relativamente baixa para a escassa oferta imobiliária do centro da capital, ressalta Cláudia Wallin em seu livro Um país sem excelências e mordomias, no qual aponta as diferenças entre o modo de viver entre autoridades dos dois países. Detalhe: se o deputado quiser levar outras pessoas para morar com ele, elas terão de arcar com metade do valor do aluguel. O Parlamento sueco é unicameral (não tem Senado), tem 349 parlamentares eleitos para mandato de quatro anos, que representam uma população de 10 milhões de habitantes.

Saiba quanto custa um deputado brasileiro

13 de Março de 2017

 

Veja como são os apartamentos funcionais de deputados no Brasil e na Suécia

No Brasil, a reportagem do Congresso em Foco fez imagens do imóvel funcional ocupado pelo deputado Rômulo Gouveia na SQN 302, área nobre de Brasília. Veja o vídeo aqui.

O apartamento tem 225 metros quadrados, com quatro quartos, sendo duas suítes. Os imóveis são entregues mobiliados aos deputados, com camas, sofas, mesas, fogão, geladeira, microcondas. Da janela, é possível avistar o Lago Paranoá. A sala, com dois ambientes, acomoda quatro sofás grandes. A suíte principal tem um quarto espaçoso, onde o deputado instalou uma cama king size, uma rede, uma televisão, uma geladeira e uma mini adega. O banheiro tem uma confortável banheira de hidromassagem. O valor do aluguel naquela quadra fica entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. O preço do imóvel é estimado pela Câmara entre R$ 2 milhões e R$ 2,2 milhões. O atraso na reforma dos apartamentos funcionais já causaram prejuízos de R$ 180 milhões. O custo da reforma de cada apartamento está em R$ 700 mil – o equivalente a um terço do valor do imóvel. Obras já consumiram R$ 122 milhões e devem durar mais 12 anos.

Na Suécia, deputados vivem em apartamentos funcionais de apenas um cômodo, que chegam a ter 18 metros quadrados – e sem comodidades como máquinas de lavar ou lava-louças: a lavanderia é comunitária. Veja o vídeo aqui.

8 de Março de 2017

 

O Fundo do Petróleo norueguês e o Pré-Sal brasileiro

CRÔNICAS DA ESCANDINÁVIA

Por Claudia Wallin

A essa altura, os noruegueses poderiam estar razoavelmente desesperados, ou já tramando algum pacto de suicídio. Os preços do petróleo despencam como uma jaca madura, e a Noruega deve sua riqueza e bem-estar ao ouro negro.

Mas não se fala em crise no país. Por quê?

Porque nos anos 90 a Noruega criou um Fundo do Petróleo (o “Oljefondet”), a fim de economizar a fabulosa fortuna do petróleo e assim assegurar o bem-estar dos cidadãos e das gerações futuras.

É o modelo que serviu de inspiração, em parte, para o fundo brasileiro do pré-sal.

Trata-se do maior fundo soberano do mundo – e pertence ao povo norueguês. Isso quer dizer que há limites rigorosamente demarcados para que os políticos possam tocar o dinheiro do petróleo, e que a gestão pública dos recursos obedece a rígidos critérios de transparência e ética.

Pergunte a um norueguês, e ele dirá: o Fundo foi criado para beneficiar os nossos filhos, e também os filhos dos nossos filhos.

O Oljefondet é controlado pelo Ministério das Finanças, mas gerenciado pelo Banco Central da Noruega. Foi o seu conselho de ética que decidiu no fim de janeiro, sob pressão das recorrentes denúncias de corrupção na Petrobrás, colocar em observação o investimento do Fundo na estatal.

No modelo norueguês, a regra de ouro é que o governo só pode gastar o dinheiro gerado pelo retorno dos investimentos das aplicações do Fundo, a um teto fixado em 4% ao ano. Mexer no capital do Oljefondet, só em circunstâncias especiais – o que nunca ocorreu, até a recente virada na maré dos preços do barril.

Desde o princípio, consolidar uma sociedade igualitária e manter a estabilidade da economia, com práticas de boa governança, foi a prioridade dada pelos noruegueses ao dinheiro que caiu do céu. Aliás, do mar.

A Noruega era um país de camponeses e pescadores quando descobriu imensas reservas de petróleo no Mar do Norte, no fim dos anos 60. O casamento da sorte com a prudência gerou uma prosperidade meteórica, que alçou o país ao clube dos mais ricos do planeta.

O povo norueguês deixou de ser um dos mais pobres da Europa, para se tornar um dos mais afluentes e socialmente justos: o país passou a escalar o topo de todos os rankings globais de progresso e bem-estar social, com sua sociedade que escolheu como ideal dar a todos os cidadãos as mesmas oportunidades e garantias de uma vida digna.

Noruega: antes e depois

Aos poucos, a Noruega se converteu no maior produtor de petróleo da Europa Ocidental, e o terceiro maior exportador de gás natural do mundo. E conseguiu transformar os recursos obtidos, sobretudo através dos impostos pagos pelas companhias petrolíferas e pelas licenças de exploração, em riqueza e prosperidade para a população como um todo.

Mas a queda dramática nos preços do petróleo vem perturbando o éden norueguês.

O valor do barril caiu de mais de 110 dólares, em 2014, para os atuais cerca de 30 dólares.

Dizem os noruegueses que o momento não é de crise – e sim de adaptação.

“Vendemos muito petróleo quando os preços estavam altos, e economizamos grande parte do dinheiro que recebemos”, diz Ragnar Torvik, professor de Economia da universidade de Trondheim.

“O resultado é que a economia norueguesa está bem equipada para enfrentar a queda dos preços do petróleo, e o desafio da diversificação”.

Mas o país acende a luz amarela: pela primeira vez desde a criação do Oljefondet, os noruegueses recorrem agora ao seu gigantesco Fundo soberano do petróleo, de mais de 800 bilhões de dólares, para equilibrar o orçamento.

O setor petroleiro responde por cerca de 25% do PIB norueguês, e diversificar a economia para quebrar a dependência do ouro negro é preciso. Já.

No país que é um dos mais ricos do mundo em termos per capita, a demissão de quase 30 mil trabalhadores do setor desde 2014 é um fato, e o índice de desemprego atingiu 4,1% em 2015.

“A economia norueguesa, como um todo, não está em crise”, diz a ministra das Finanças, Siv Jensen.

“Mas é uma crise para as empresas, as regiões e as famílias afetadas pela transformação estrutural da economia”.

Fica a lição norueguesa: a palavra de ordem é usar o dinheiro do Fundo com sabedoria, e agir como se o petróleo já tivesse acabado.

 

10 de Julho de 2016

Para o Diário do Centro do Mundo

 

Quanto você paga para dar um carro a cada senador – sem contar o motorista e a gasolina

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RADAR BRASIL

A conta anual só para cuidar da milionária frota de 92 carros à disposição do Senado: R$ 97,2 mil (para pagar dois frentistas) e R$ 172 mil (para 4 lavadores de automóveis). Em locação de carros, a Casa gastou R$ 1,7 milhão para os 81 senadores entre janeiro e setembro, segundo dados do Contas Abertas.

Vamos comparar: na Suécia, nenhum parlamentar – nem mesmo o Presidente do Parlamento – têm carro à disposição para ir ao trabalho, com dinheiro pago pelo contribuinte.

 

Do Contas Abertas:

Senado gasta R$ 269,2 mil com frentistas e lavadores de carro de senadores

Além do gasto de milhões com a locação de veículos para transporte de senadores, o Senado Federal também reserva recursos para contratação de frentistas e lavadores de automóveis. Ao todo, R$ 269,2 mil foram empenhados para que seis funcionários façam esse serviço. O valor atende ao período de um ano.

Os recursos correspondem à demanda de dois frentistas (R$ 97,2 mil), para controle de abastecimento de veículos, e quatro lavadores de automóveis (R$ 172 mil). O serviço é prestado pela empresa “Interativa Empreendimentos e Serviços de Limpeza e Construções Ltda”. A empresa tem contrato com o Senado desde 2012. De acordo com o edital de licitação do contrato, a justificativa do gasto está no fato de o Senado Federal não dispor das categorias profissionais objeto desta licitação em seu quadro de servidores.

“Há necessidade de dotar a Coordenação de Transportes do Senado Federal de uma equipe mínima para proceder à lavagem e abastecimento dos veículos que atendem aos Senadores e órgãos do Senado Federal”, explica o edital. O quantitativo de mão-de-obra solicitado é suficiente para a lavagem e abastecimento de 92 veículos, sendo 81 dos Senadores, quatro da direção da Casa, três da Secretaria de Polícia, dois que atendem à Presidência do Senado Federal e duas ambulâncias.

Os frentistas devem desenvolver atividades como abastecer os veículos, fazer recebimento de combustível, fazer controle do abastecimento de veículos, registrando em formulários próprios, colher assinatura dos condutores nos formulários e abastecer apenas a cota de combustível autorizada para cada tipo de combustível. Também estão entre as atribuições do cargo o impedimento da entrada na sala de controle de pessoas alheias à atividade de abastecimento, verificação os níveis de combustível nos tanques do posto de abastecimento da COTRAN e avisar ao encarregado-geral quando houver necessidade de reposição, verificação de níveis de óleo de motor e de líquidos no sistema de arrefecimento, avisando ao encarregado-geral quando houver necessidade de reposição e controle da qualidade do combustível recebido, utilizando-se de equipamentos disponibilizados pelo encarregado-geral.

Já os lavadores de automóveis são responsáveis por executar os trabalhos de limpeza de veículos do Senado Federal, proceder à lavagem dos veículos e máquinas e à lubrificação externa de veículos e máquinas. Os funcionários ainda operam máquinas de lavagem de veículos, fazem limpeza interna dos veículos e enceram o veículo e dar brilho nas laterais dos pneus com uso de produto específico. Frequência e periodicidade

A jornada de trabalho dos funcionários é de 44 horas semanais, sendo: de segunda a sexta-feira 8 horas diárias, com uma hora de intervalo, no período compreendido entre 7h e 17h. Deverá ser permitida a compensação de horas, a ser feita por meio de “BANCO DE HORAS”.

Locação dos carros

Como o Contas Abertas divulgou no início de fevereiro, a Casa empenhou R$ 1,7 milhão para a locação de veículos automotores para deslocamentos de senadores no Distrito Federal. Os recursos atendem ao período de 1º de janeiro de 2016 a 18 de setembro de 2016. O valor não inclui os motoristas e o combustível que será utilizado pelos senadores nos trajetos. O número de veículos locados é o mesmo de senadores: 81, isto é, cada um deverá contar com carro privativo. A empresa LM Transportes Serviços e Comércio LTDA é contratada do Senado desde 2011. Os recursos a serem desembolsados em 2016 são parte do 5º aditivo de prorrogação do contrato.

 

25 de fevereiro/2016

Meritocracia brasileira: a diferença entre o filho de Campos e a filha de Obama

Radar Brasil

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O primeiro emprego de Malia Obama, filha do presidente dos EUA, é servir cafezinho como estagiária. O do filho de Eduardo Campos, chefiar o Gabinete de Estado em uma das capitanias hereditárias – o mesmo cargo que o seu falecido pai ocupou, no governo que era chefiado por seu avô.

21 de fevereiro/2016

O que a filha de Obama e o de Eduardo Campos não têm em comum

Do site Administradores.com

João tem 22 anos. Frequentou boas escolas e teve acesso a uma série de oportunidades em educação. Ele cursa engenharia civil na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e tem desejo de ingressar na política. Não seria estranho se João fosse contratado como estagiário de uma construtora ou se envolvesse em grêmios.

Mas João Campos é filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e mesmo antes de concluir o ensino superior será como chefe de Gabinete do Estado, trabalhando diretamente com o governador Paulo Câmara (PSB). E o seu salário líquido? R$ 7.787,43 — vencimento do antecessor Ruy Bezerra.

O chefe de Gabinete é o braço direito do governador nas questões administrativas do estado. É um trabalho que exige qualificação. Para se ter ideia, Ruy Bezerra é formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife com pós-graduação em Gestão Pública e Controle Externo, pela Universidade do Estado de Pernambuco (UPE) e auditor das Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado (TCE/PE), desde 1996.

As diferenças entre João e Ruy expõem as rachaduras no discurso do próprio pai de João, que construiu ao longo de sua trajetória política um discurso que valorizava a meritocracia. A irmã de João, Maria Eduarda também assumiu um cargo na Prefeitura do Recife, no início de fevereiro.

A ideia de ter um jovem, que ainda não concluiu o ensino superior, em um cargo tão elevado irritou os pernambucanos. Em protesto, a população lançou a hashtag #MeuPrimeiroEmprego para comparar suas experiências. E, claro, elas surgem com salários relativamente baixos e cargos de pouco prestígio.

Como discutir meritocracia em um ambiente em que um auditor com 20 anos de experiência é substituído por um garoto de 22 anos de idade, cujo diferencial no currículo consiste no sobrenome?

A filha de Obama

Nos EUA, o trabalho da filha do presidente Barack Obama também chamou atenção quando se tornou público, no ano passado. Mas o motivo foi exatamente o inverso do que tem motivado a repercusão da nomeação de João Campos para a chefia do gabinete do governados de Pernambuco. Malia Obama foi contratada como estagiária no set do seriado “Girls”, do canal de TV HBO. Sua função não era de chefia. Ele servia cafés aos atores e auxiliava a produção do programa.

 

Conheça “Um País Sem Excelências e Mordomias”: http://www.claudiawallin.com.br/o-livro/