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UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS, O LIVRO

Um livro extraordinário, eu recomendo.

Eduardo JorgeCandidato à Presidência (PV) em 2014

Aliás, neste período de eleições, eu recomendo a leitura do livro da jornalista Cláudia Wallin: “Um país sem excelências e mordomias”. Show. Retrata a Suécia, onde NENHUM cargo público assegura mordomia NENHUMA. Problema da leitura é que dá uma raiva danada.

William BonnerRede Globo

Livraço. Eu acho que a gente deveria fazer uma vaquinha e entregar para cada deputado e cada juiz do país esse livro, ’Um País Sem Excelências e Mordomias’.

Octávio GuedesRádio CBN

O livro de Claudia é uma contribuição extraordinária para o debate sobre o país que queremos ser.

Paulo NogueiraDiário do Centro do Mundo

Geração Editorial lança Um país sem excelências e mordomias, da jornalista Claudia Wallin, livro que retrata um reino distante chamado Suécia, mas que tem muito a ensinar aos (e)leitores brasileiros

Eleito o melhor ministro de finanças da Europa pelo jornal inglês Financial Times, Anders Borg vive em um apartamento de 25 m2. Deputados espremem-se em exíguos 18 m2. Não têm direito a nenhum luxo mesmo vivendo numa das nações mais ricas do planeta. E não aumentam os próprios salários. Não possuem carro oficial, motorista ou um cortejo de assessores. Andam de metrô, ônibus, bicicleta ou a pé. E correm o sério risco de caírem em desgraça – e até irem parar nas manchetes – se usarem táxi sem necessidade ou simplesmente por comprarem uma barra de chocolate com o cartão corporativo. Vereadores não têm salários. Políticos vivem em casas simples.

Tudo isto parece fantasia, mas é a mais pura realidade, que a jornalista brasileira Claudia Wallin observou durante dez anos e transformou no livro Um país sem excelências e mordomias (R$39,90 / 344 pág.), que a Geração Editorial está lançando. A sociedade em questão é a da Suécia mas, ao longo da narrativa fluente e bem-humorada, o Brasil está presente como um espelho invertido. O que nos deixa cheios de inveja. Por exemplo: qualquer político é chamado simplesmente de “você”. O tratamento de “Excelência” foi abolido faz tempo.

Deputados e ministros lavam e passam suas próprias roupas! Claudia nos deixa ainda mais embasbacados quando entrevista o primeiro-ministro: aspirador em punho, ele limpa a própria casa! E, como se fosse pouco, dá dicas na imprensa sobre como fazer uma limpeza mais eficaz…

Quem sai da linha sofre o peso da lei. Nem as celebridades escapam. Suspeito de fraude fiscal, o cineasta Ingmar Bergman foi preso no próprio teatro e arrastado para dar explicações. Teve um infarto, mas não foi perdoado.

Ao ler este espantoso livro sobre a Suécia, mais parece que estamos lendo um livro de ficção científica, sobre um país utópico qualquer. Mas como isso pôde ser possível? Como a democracia pôde se consolidar naquele país gelado, habitado no passado remoto por um bando de selvagens louros que a lenda desenhou vestindo peles e usando chifres na cabeça?

“História. Educação. Reforma política. Construção e defesa de instituições sólidas. A Suécia, há menos de 100 anos, era um país pobre, mas habitado por um povo determinado a sair da pobreza e do atraso. E conseguiu”, afirma Luiz Fernando Emediato, editor e publisher da Geração Editorial. O segredo – que não é segredo, segundo Emediato – é sempre o mesmo: “investimento em educação, ciência, tecnologia, justiça, projetos nacionais integrados.”

Um país sem excelências e mordomias não é apenas uma fotografia do presente. Vasculhando no passado os fundamentos da democracia sueca, Claudia viaja até as comunidades vikings e seu costume de tomar decisões, em grupo e no voto, passa pela Idade Média e o tumultuado século 19. Entrevista ministros, deputados, jornalistas, prefeitos, juristas, cidadãos para desvendar este universo tão distante dos brasileiros. E encontra o tripé que gerou e mantém este país singular: transparência, alta escolaridade e igualdade social. É, ainda, uma receita poderosa contra a corrupção.

O posfácio do livro, escrito de forma brilhante pelas jornalistas Izabelle Torres e Josie Jerônimo, traz uma aula para o Brasil, que sustenta o segundo congresso mais caro do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos. E nesse desfecho que nosso país emerge do subtexto e sobe a superfície com suas mazelas. Aqui, política é sinônimo de mordomia e cada parlamentar custa US$ 7,4 milhões/ano. No Brasil, ministros viajam de jatinhos da Força Aérea Brasileira, possuem carro com motorista e privilégios na alfândega. De vez em quando, pegam carona em aviões de empresários, ganham presentes… Deputados contam com verbas altas para tudo – gasolina para automóveis e aviões, comida, assessores, passagens. Ministro viajar em aviões da FAB é normal e legal. Pegar carona em aviões de fornecedores do governo, não – e eles são denunciados quando surpreendidos. Mas isso é o de menos, como você vai ver neste livro que, ao tratar de um país distante – a Suécia – nos faz lembrar a todo tempo do Brasil.

No Brasil, o sistema de governo – analisa Emediato – é de República Presidencialista, com um Executivo, um Legislativo e um Judiciário, mas, que coisa estranha, o Judiciário legisla, o Legislativo participa do Executivo, nomeando ministros, secretários e altos funcionários de bancos e estatais, e o Executivo também legisla… A “res publica”, a coisa pública, torna-se imediatamente propriedade privada, de pessoas, grupos e corporações.

Pudera, os parlamentares têm direito não aos cubículos de 18m2, mas a imensos apartamentos, alguns com banheira de hidromassagem e mobília de grife. Presidentes e governadores moram em palácios, enquanto os 11 ministros e o STF consumirão R$ 564 milhões neste ano.

Assim como é fascinante ler este livro, é desanimador concluir que ainda falta muito, mas muito mesmo, para o Brasil atingir um nível de civilização que nos permita ombrear com as democracias de verdade. Sem reforma política – por uma Comissão Independente, pois o Congresso atual não a fará – e sem investimento em educação nada ou pouco se obterá.

Como se percebe, Um país sem excelências e mordomias tem muito a ensinar ao leitor e, sobretudo, ao eleitor.

CAPÍTULO I