Islândia: 1° país do mundo a impor igualdade salarial entre homens e mulheres

A Islândia se tornou o primeiro país do mundo a criar uma lei que exige a igualdade de salários entre homens e mulheres. A legislação entrou em vigor em 1° de janeiro de 2018.

Claudia Wallin, correspondente da RFI em Estocolmo

A nova lei islandesa torna efetivamente ilegal pagar salários mais altos a homens, entre funcionários que exerçam funções semelhantes. Pelas novas regras, todas as empresas privadas e agências governamentais que tenham mais de 25 funcionários passam a ser obrigadas a obter uma certificação oficial, junto ao governo, que comprove suas políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres. Os empregadores que não cumprirem a legislação estarão sujeitos a multa. A meta da Islândia é eliminar a desigualdade de salários entre homens e mulheres até 2020.

“O fosso salarial de gênero ainda é, infelizmente, um fato no mercado de trabalho islandês, e é hora de tomar medidas radicais”, disse o ministro da Igualdade e Assuntos Sociais da Islândia, Thorsteinn Viglundsson.

Nos últimos nove anos consecutivos, a Islândia tem liderado o ranking do Fórum Econômico Mundial sobre os países onde há mais igualdade de gênero – atrás dos islandeses estão Noruega, Finlândia, Ruanda e Suécia. O relatório Global Gender Gap analisa a evolução da igualdade desde 2006, entre 144 países do mundo, com base em indicadores como oportunidades econômicas e participação política.

Desigualdade persistente

Mas segundo estatísticas do governo da Islândia, apesar das conquistas apontadas no relatório as mulheres islandesas ainda ganham entre 14% e 18% menos do que os homens.

“As pessoas estão começando a perceber que a desigualdade salarial entre homens e mulheres é um problema sistemático, que nos obriga a recorrer a novos métodos para ser solucionado”, observou Dagny Osk Aradottir Pind, do conselho executivo da Associação Islandesa para os Direitos das Mulheres.

A nova lei da igualdade salarial foi aprovada por todos os partidos políticos do Parlamento islandês, onde quase 50% dos deputados e funcionários são mulheres.

Pressão das trabalhadoras

A pressão das trabalhadoras islandesas também foi fundamental no processo: em outubro de 2016, milhares de mulheres saíram do trabalho mais cedo na Islândia como forma de protesto contra a disparidade salarial. Elas pararam de trabalhar exatamente às 14:38 – que é o horário a partir do qual as mulheres islandesas calculam que passam a trabalhar de graça, se levada em conta a diferença em relação à remuneração dos homens. Do trabalho, as manifestantes seguiram para o Parlamento, a fim de reivindicar a igualdade salarial. A estimativa é de que 90% das mulheres islandesas aderiram ao protesto – incluindo as donas de casa, que naquele dia não fizeram as tarefas domésticas para se juntar à manifestação.

Islandesas saíram do trabalho mais cedo em 2016 para exigir igualdade salarial

O movimento feminino ganhou ainda mais força na Islândia em dezembro passado, quando a feminista Katrín Jakobsdóttiro, líder da frente política Esquerda Verde, tomou posse como primeira-ministra do país. Ela é a segunda mulher a ocupar o cargo de premiê no país nórdico, que tem uma população de 320 mil habitantes.

Pressão das trabalhadoras: manifestação pela equiparação salarial reuniu milhares de mulheres em frente ao Parlamento islandês

Situação mundial

Nos demais países, o cenário é preocupante. Os resultados do mais recente relatório do Global Gender Gap, divulgado em novembro passado, mostram que a desigualdade de gênero voltou a crescer pela primeira vez no mundo, depois de uma década de avanços. O estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que, caso seja mantido o ritmo atual, será preciso um século para reduzir a diferença de gênero em escala global. Em 2016, essa expectativa era de 83 anos.

Em relação às desigualdades no local de trabalho, as projeções são ainda mais pessimistas: só haverá igualdade daqui a 217 anos. A razão da queda dos índices, segundo o relatório, foi a redução da igualdade do ponto de vista econômico e político.

Na União Europeia, a diferença de salários entre homens e mulheres é, em média, de 16%. O relatório do Fórum Econômico Mundial analisa a situação dos países em quatro pilares principais: Participação Econômica e Oportunidade, Acesso à Educação, Saúde e Sobrevivência e Empoderamento Político.

Em 2017, o Brasil caiu para a 90ª colocação no ranking, em um universo de 144 países. No ano passado, ficou em 79º e em 2015, em 85º. No primeiro estudo, realizado em 2006, o Brasil ocupava a 67ª posição no ranking.

4 de Janeiro de 2018

41 respostas
  1. Paulo de Abreu
    Paulo de Abreu says:

    Por aqui, os intervencionistas, a extrema direita fascista e imbecil, e aquela direita xucra do Reinaldo azevedo, nas figuras de Joyce hasselmam, e Raquel sherezade. Passarão a partir de agora, a tratar Islândia como um perigoso reduto comunista…

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  2. Roberto Machado
    Roberto Machado says:

    No, servico público, ganha.
    Todios começam e evoluem
    os salários de acordo com as
    promoções.
    Onde, no Brasil, se aplica a Isonomia?

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  3. Marcos Silva
    Marcos Silva says:

    Quando tiver oportunidade vou sair desse bostil de país chamado Brasil, vou pra algum país nórdico, conhecer alguma nórdica casar e ficar por ai pq aqui no Brasil da depressão viver com esse povinho alienado!

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  4. Messias Almeida Silva
    Messias Almeida Silva says:

    Eu queria conhecer esses salários desiguais. Funcionalismo público salários iguais, funções de empresas salários iguais. Agora trabalho por produtividade varia o salário até entre mulheres na mesma função. O que acontece que os homens estão a maior parte na indústria até por causa das suas particularidades e mulheres a maioria no setor comercial.

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  5. Messias Almeida Silva
    Messias Almeida Silva says:

    Eu queria conhecer esses salários desiguais. Funcionárismo público salários iguais, funções de empresas salários iguais. Agora trabalho por produtividade varia o salário até entre mulheres na mesma função. O que acontece que os homens estão a maior parte na indústria até por causa das suas particularidades e mulheres a maioria no setor comercial.

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  6. Luciano Steci Marcondes
    Luciano Steci Marcondes says:

    Atrazado, já vi mulher fazendo serviço de pedreiro também, o problema é essa mentalidade retrógrada. E assim como as mulheres costumam ganhar menos que os homens o negro geralmente ganha menos que o branco, qual é a desculpa agora?

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  7. Fabio Henrique Alves
    Fabio Henrique Alves says:

    Tá bom então na hora de encher laje carregar saco de cimento nas costas e virar concreto a mulher vai fazer o mesmo serviço de um homem

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  8. Roseli Coelho
    Roseli Coelho says:

    100% de acordo. Quem sabe um dia teremos essas leis avançadas aqui. Como a obrigatoriedade de um parlamento composto necessariamente por 50% de mulheres.

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    • José Paes
      José Paes says:

      Vocês mulheres tem praticamente a mesma proporção de homens no Brasil, pq não votam em mulheres? Talvez pq o interesse de vocês em política seja menor?

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  9. Milton Correa da Silva
    Milton Correa da Silva says:

    Um motorista de caminhão ganha mais que uma motorista de caminhão, sendo iguais os caminhões e o mesmo percurso????
    Mi mi mi mi
    Eu tive em pregados ,poucos, mas só ganhava mais quem fazia hora extra…

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  10. Horacio Augusto Filho
    Horacio Augusto Filho says:

    Mais fake news… Todos os países civilizados já têm leis semelhantes há décadas, inclusive o Brasil, Estados Unidos e a própria Islândia. Essa lei “nova” não passa de (mais) uma reedição, porque por mais que façam leis, os homens continuam ganhando mais. Por que? Simplesmente porque trabalham mais, fazem mais horas extras e ficam mais tempo no mesmo emprego.

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  11. Deuseles Montenegro
    Deuseles Montenegro says:

    Quem descumpre a Lei aqui? São os trabalhadores e trabalhadoras? Ou são os empresários? Esses acham-se no direito de descumprir tudo que quiserem. Ricos pagam IPTU, empréstimos do BNDES a juros próximos de 0% ao ano, etc?

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  12. Alexandre Ventura F Toledo
    Alexandre Ventura F Toledo says:

    Muito mi-mi-mi.
    Daqui a pouco vão dar o mesmo salário pro medíocre e o eficiente.
    O único critério que funciona pra valorar salário é eficiência.

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  13. Luiz Dorneles
    Luiz Dorneles says:

    Eu não sei de onde tiraram q as mulheres ganham menos q os homens em uma mesma função. Se fosse verdade, as empresas só contratariam mulheres. É claro q você pode torturar os números e fazer com q falem o q você quiser. Por exemplo, você pode dizer q uma médica ganha menos do q um médico, mas esconder q ela é pediatra e ele um cirurgião cardiovascular.

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    • Luciano Steci Marcondes
      Luciano Steci Marcondes says:

      Você já pesquisou ou só tem suas convicções? Ou será que você conhece a vida de todos no Brasil pra fazer a afirmação que é tudo mimimi? Se vários órgãos de respeito já fizeram pesquisas e afirmam a desigualdade salarial entre mulheres e negros você quer contestar essas afirmações sem uma única prova de pesquisa. Pelo jeito você é mais um Bolsotonto da vida.

      Responder
    • Tina Soares
      Tina Soares says:

      A Constituição Federal é retrógrada! Começa com o voto obrigatório, quem não vota paga multa! Na Câmara dos Deputados temos um exemplo de desigualdade constrangedor, a representação feminina é de 45 deputadas contra 468, homens. Isso não é mimimi…Concordo com você Luciano, existe muito Bolsotonto no Brasil.

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    • Horacio Augusto Filho
      Horacio Augusto Filho says:

      Agora é a deixa para aparecerem os militontos feministas com a habitual gritaria e xingamentos, em vez de avaliarem a questão logicamente e aceitarem a verdade! :D

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    • Luiz Dorneles
      Luiz Dorneles says:

      Tina Soares que triste isso, provavelmente se criou um monte de impedimentos para as mulheres não se candidatarem a vereadoras, SQN. Já passou pela tua cabeça q elas simplesmente não querem se envolver com política? Vá a luta, se candidate a vereadora, se ganhar, te garanto q tu vai o mesmo q seus colegas homens. Pare de falar merda e reconheça a verdade.

      Responder
    • Gabriel Filho
      Gabriel Filho says:

      Dai o mano tem 10 anos de casa na empresa, a mulher acabou de entrar e ja quer ganhar igual hdudhdu casos e casos

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  14. Garivaldino Ferraz
    Garivaldino Ferraz says:

    Sabem de nada! Getúlio Vargas, em pleno Estado Novo, estabeleceu a CLT que reza em seu artigo 461:
    “Art. 461. Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.”
    Os islandeses estão atrasados só 75 anos!! kkk

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    • Luciano Steci Marcondes
      Luciano Steci Marcondes says:

      Através de Getúlio, várias classes desprivilegiadas começaram a ter muitos direitos, mas as elites nunca deram margens para que isso acontecesse. Nem a própria sociedade em si.

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    • Keanu Oliveira
      Keanu Oliveira says:

      Não é apenas uma questão de lei, a OIT estabelece essa igualdade também. Mas para que se cumpra efetivamente a lei é necessário que haja penalizações mais incisivas, o que na maioria dos países não ocorre.
      Agora, aqui no Brasil, com a reforma trabalhista o contrato vai valer sobre o legislado, o que dará liberdade para burlar a lei trabalhista de forma irrestrita, veremos como os juízes do trabalho interpretarão essas reformas…

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    • Luciano Steci Marcondes
      Luciano Steci Marcondes says:

      Keanu Oliveira, eles vão dar bala também? Pois só dando doce pra criança acreditar nessa reforma trabalhista. Eu li os tópicos e é discarados o retrocesso contra os direitos trabalhistas. Só é bom para o patrão que agora pode ser considerado o escravocrata da era moderna. Se você é empresário você está certíssimo em tá apoiando, só você será beneficiado, agora se é mais um da prole você é mais um alienado

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