Paula Carvalho Olovsson, Assessora Parlamentar

”Não trabalho como assessora particular para nenhum deputado”

 

 

Filha de um ex-deputado português e de uma vereadora sueca, a cientista política Paula Carvalho Olovsson trabalha desde 2005 como assessora parlamentar do partido Social-Democrata. Na base parlamentar do partido, na Riksdagens Hus, ela conta como é assessorar todos os deputados de um só partido.

. Como é o seu trabalho como assessora política na Suécia?

PAULA CARVALHO: Não trabalho como assessora para nenhum deputado em particular, e sim para o grupo de parlamentares social-democratas como um todo.

. São mais de cem deputados no partido. Qualquer um pode pedir a sua ajuda?

PAULA CARVALHO: Não pedem ajuda ao memo tempo, pois temos um esquema bem organizado. Nós, assessores políticos, somos divididos em grupos especializados em determinados assuntos. Por exemplo, alguns colegas meus trabalham exclusivamente na área de assuntos sociais ou de economia, e outros são especializados em questões relacionadas à saúde ou à criminalidade. Há também colegas que trabalham junto às comissões parlamentares, escrevendo moções em linguagem mais rebuscada. A minha função é principalmente reescrever as moções parlamentares em linguagem mais acessível, para que os deputados possam usar quando forem dar entrevistas, fazer discursos ou encontrar os eleitores. Ou seja, há assessores com expertise específico para diferentes áreas de atuação dos parlamentares.

. O sistema funciona bem, ou seria mais desejável que os deputados suecos tivessem mais assessores?

PAULA CARVALHO: Para nós, funciona muito bem. E penso que também trabalhamos de forma mais eficaz. Com pessoas demais trabalhando numa determinada área, muitas vezes acaba-se fazendo coisas desnecessárias.

. Você quer dizer que assessores demais não é bom?

PAULA CARVALHO: Eu acho que não.  E os deputados suecos também podem contar com o Serviço de Pesquisas do Parlamento (RUT), que possui consultores apartidários com especialização em diversas áreas para produzir estudos, projeções e consultorias técnicas.

. Os deputados suecos cuidam da própria agenda e marcam suas viagens e passagens?

PAULA CARVALHO: Sim, claro. Para nós, é claro que eles devem fazer isso.

. Como compara o sistema sueco com o de países como Portugal ou o Brasil, onde deputados têm equipes de assessores particulares?

PAULA CARVALHO: Para nós, estes são mundos diferentes. E não me parece necessário ter tantos assessores em um só gabinete. Aqui, jamais aconteceria. Em primeiro lugar, porque os suecos nunca aceitaram nem nunca aceitariam isso. Há muitas pessoas na Suécia que pensam inclusive que os politicos suecos já têm direitos demais, e que ganham bem demais. As pessoas aqui não gostam de os políticos terem coisas que as pessoas normais não têm. Os politicos suecos têm que ser como cidadãos comuns. E aqui na Suécia não temos corrupção como, por exemplo, na Itália.

 

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