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CARTAS DA SUÉCIA

Claudia Wallin

Foto: Ola Ericsson / Stockholmsfoto

Finlandesa com o cartão do Kela, o sistema de Previdência Social da Finlândia

Reforma da previdência na Finlândia: renda mínima para todos os cidadãos

Enquanto o governo interino do Brasil se dedica a suprimir direitos sociais a golpes de caneta e cacetete, eis a questão que superaquece os neurônios finlandeses neste cruel inverno nórdico: se o governo der aos cidadãos dinheiro suficiente para pagar as contas do mês, será que eles ficarão em casa jogando a viciante invenção nacional, o Angry Birds? Ou continuarão acordando para trabalhar e fazer coisas produtivas? O enigma paira sobre o mais novo experimento social projetado pela Finlândia - a introdução de uma renda mínima universal para todos os habitantes do país. O teste da proposta começa em janeiro de 2017.
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Vídeo: o inclusivo design da Finlândia

O arrojado design finlandês ganhou projeção na década de 30 com o estilo que é chamado por aqui de "funkis", o funcionalismo escandinavo. Um movimento que abraçou os ideias nórdicos da igualdade social, e a ideia de que o design deve ser para todos os cidadãos - de todas as classes sociais.
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O dia em que deputados suecos aceitaram viver uma semana com a renda de um aposentado

“Chegou a vez dos políticos roerem o osso”, leio certo dia na primeira página do Veteran, o jornal da combativa organização nacional dos idosos da Suécia. Explica-se a euforia: quatro deputados do Parlamento haviam aceitado o desafio de sobreviver durante uma semana com o magro orçamento de um aposentado. Em se tratando de inigualável espetáculo com garantida produção de endorfinas, decidi juntar-me à legião de idosos que passou a acompanhar avidamente, nas redes sociais dos deputados, os sete dias de agruras do poder. O entretenimento político aconteceu no último inverno, e volta à minha mente neste momento em que o inovador Governo brasileiro se prepara para enviar ao Congresso a proposta de aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres.
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A vida de um trabalhador na Suécia: direitos garantidos e até jornada de 6 horas

Estranhamente, e na contramão das reformas trabalhistas preconizadas pelo visionário governo interino do Brasil, parece que nem os políticos e nem os empresários da Suécia estão interessados em levar seu país de volta à Idade da Pedra Lascada. “Não soa mais certo, em pleno 2016, trabalhar de 8 da manhã às 5 da tarde. Especialmente quando se sabe que grande parte deste tempo é desperdiçado na jornada”, diz Maria Westling, diretora da startup Brath – uma das várias empresas e municipalidades da Suécia que resolveram testar a jornada de seis horas de trabalho, na esteira da bem-sucedida experiência adotada desde 2002 pela fábrica da montadora Toyota na cidade de Gotemburgo.
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Como a Suécia evita a corrupção em empresas estatais

O auditor sueco me ouve com aquela expressão de quem tenta medir o QI do seu interlocutor. A pergunta é - como evitar a corrupção em empresas estatais, e impedir sua utilização como pólos de transferência de recursos públicos para grupos privados bem conectados com o poder político? A resposta, ele diz, é elementar. “É para isso que servem auditorias independentes, regulares e transparentes sobre as operações das estatais. E quero dizer auditorias verdadeiramente independentes, que façam não apenas um trabalho de fiscalização, mas também de promoção da eficiência”, observa Dimitrios Ioannidis, um dos chefes responsáveis pela fiscalização das estatais da Suécia.
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O Fundo do Petróleo norueguês e o Pré-Sal brasileiro

A essa altura, os noruegueses poderiam estar razoavelmente desesperados, ou já tramando algum pacto de suicídio. Os preços do petróleo despencam como uma jaca madura, e a Noruega deve sua riqueza e bem-estar ao ouro negro. Mas não se fala em crise no país. Por quê? Porque nos anos 90 a Noruega criou um Fundo do Petróleo (o “Oljefondet”), a fim de economizar a fabulosa fortuna do petróleo e assim assegurar o bem-estar dos cidadãos e das gerações futuras. É o modelo que serviu de inspiração, em parte, para o fundo brasileiro do pré-sal.
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Líder sueco: crise no Brasil é oportunidade ideal para pacto nacional e reforma política

“O conflito político no Brasil é extremamente alarmante. Por outro lado, ele representa uma oportunidade ideal para convocar os partidos políticos e a sociedade a realizar uma ampla e positiva agenda de reformas no país”, avalia o social-democrata Björn von Sydow, ex-presidente do Parlamento sueco e atual vice-presidente da Comissão de Constituição parlamentar. O momento exige um pacto suprapartidário a fim de alcançar um consenso de união nacional: “Porque a situação é de tal maneira caótica, que os partidos políticos brasileiros devem perceber que nenhum deles é forte o suficiente para encerrar a crise sem o apoio de todos os demais“, ele observa. "E é o momento para mobilizar também diferentes setores da sociedade civil em torno de um plano de reformas constitucionais, econômicas e políticas, incluindo a reforma dos partidos políticos”, diz o deputado, que esteve recentemente no olho do furacão da crise brasileira, em visita a Brasília.
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Juiz da Suprema Corte sueca: sem juízes imparciais, não pode haver Justiça no Brasil

“É extremamente importante que juízes de todas as instâncias, em respeito à democracia e à ordem jurídica e constitucional, atuem com total imparcialidade. Caso contrário, não haverá razão para a sociedade confiar nem em seus juízes, e nem em seus julgamentos”, pontua o juiz sueco Göran Lambertz. Um dos 16 integrantes da Suprema Corte da Suécia, Lambertz vê com preocupação a atual crise no Brasil: “À distância, tem sido difícil entender o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. Mas preciso dizer que me parece, de modo geral, que alguns atores do processo legal que se desenvolve no Brasil não são totalmente independentes em relação aos aspectos políticos do caso.”

Destaques

Radar Brasil

Crônicas da Escandinávia

Suécia: Políticos Sem Mordomia

Como vivem os políticos suecos

A Receita Sueca anti-Corrupção

Que país é este?

83%

dos suecos acreditam que os impostos revertem positivamente em serviços.

56%

dos suecos têm alta confiança em seus políticos.

81,7 anos

Expectativa de vida.

99%

de reciclagem de todo o lixo.

O site

Esse espaço foi criado para promover um debate sobre como é possível, com pequenos e grandes atos, resgatar uma cultura de respeito às regras, às leis e ao povo e melhorar as condições de vida para todos. O que funcionou na Suécia pode muito bem funcionar em outros países. É só querer.

O livro

A Suécia, há menos de 100 anos, era um país pobre, mas habitado por um povo determinado a sair da pobreza e do atraso. E conseguiu. O segredo – que não é segredo – é sempre o mesmo: investimento em educação, ciência, tecnologia, justiça, projetos nacionais integrados, que levam ao desenvolvimento com igualdade e justiça social.

A autora

Radicada na Suécia desde 2003, Claudia Wallin é graduada em Jornalismo pela UFRJ e mestre em Estudos sobre a Rússia e o Leste Europeu pela Universidade de Birmingham (UK). Foi repórter e redatora de O Globo até ir para a Inglaterra, onde atuou como diretora da International Herald Tribune TV, chefe do escritório da TV Globo em Londres e jornalista da BBC World Service.