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CARTAS DA SUÉCIA

Claudia Wallin

Foto: Ola Ericsson / Stockholmsfoto

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O dia em que ministros e políticos suecos se mudaram para a casa dos cidadãos

Com a pouca sanidade que me resta, posso jurar que vi agora há pouco, na TV sueca, um deputado do Parlamento preparando-se para dormir na sala da casa de uma cidadã sueca. Ele se ajeita como pode em uma velha dragoflex, aquela cama dobrável de lona. “Amanhã o Eliott (o cachorro) vai acordá-lo com umas lambidas”, avisa a dona da casa. Consulto o termômetro para verificar o grau desta febre de inverno que me ataca, pois ando, como o Cavaleiro de Bergman, jogando xadrez com a morte. Não, não é alucinação: trata-se da nova série da TV pública sueca, que leva o nome de “Makt Hos Mig” - ou “O Poder na Minha Casa”. A ideia sueca: oito políticos pesos-pesados do Parlamento mudam-se durante um dia para a casa de jovens eleitores, com diferentes backgrounds e questões, para ouvir a sua voz. O time escalado incluiu a então Vice-Primeira-Ministra e ministra do Meio-Ambiente do país, Åsa Romson; o ministro do Interior, Anders Ygeman, e a líder do Centerpartiet (Partido do Centro), Annie Lööf.
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O mito do déficit da Previdência no Brasil - e por que não se fala em rombo na Dinamarca

Se a Dinamarca apresentasse à sua população o mesmo método de cálculo que o Brasil apresenta aos seus cidadãos, os dinamarqueses estariam convencidos de que enfrentam um rombo amazônico no seu sistema de Previdência. E por que não estão? Quem explica é o professor do Instituto de Economia da Unicamp Eduardo Fagnani - que afirma, assim como a economista da UFRJ Denise Gentil demonstrou em suas pesquisas, que o rombo da Previdência é um mito.
Finlandesa com o cartão do Kela, o sistema de Previdência Social da Finlândia

Reforma da previdência na Finlândia: renda mínima para todos os cidadãos

Enquanto o governo interino do Brasil se dedica a suprimir direitos sociais a golpes de caneta e cacetete, eis a questão que superaquece os neurônios finlandeses neste cruel inverno nórdico: se o governo der aos cidadãos dinheiro suficiente para pagar as contas do mês, será que eles ficarão em casa jogando a viciante invenção nacional, o Angry Birds? Ou continuarão acordando para trabalhar e fazer coisas produtivas? O enigma paira sobre o mais novo experimento social projetado pela Finlândia - a introdução de uma renda mínima universal para todos os habitantes do país. O teste da proposta começa em janeiro de 2017.
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Vídeo: o inclusivo design da Finlândia

O arrojado design finlandês ganhou projeção na década de 30 com o estilo que é chamado por aqui de "funkis", o funcionalismo escandinavo. Um movimento que abraçou os ideias nórdicos da igualdade social, e a ideia de que o design deve ser para todos os cidadãos - de todas as classes sociais.
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O dia em que deputados suecos aceitaram viver uma semana com a renda de um aposentado

“Chegou a vez dos políticos roerem o osso”, leio certo dia na primeira página do Veteran, o jornal da combativa organização nacional dos idosos da Suécia. Explica-se a euforia: quatro deputados do Parlamento haviam aceitado o desafio de sobreviver durante uma semana com o magro orçamento de um aposentado. Em se tratando de inigualável espetáculo com garantida produção de endorfinas, decidi juntar-me à legião de idosos que passou a acompanhar avidamente, nas redes sociais dos deputados, os sete dias de agruras do poder. O entretenimento político aconteceu no último inverno, e volta à minha mente neste momento em que o inovador Governo brasileiro se prepara para enviar ao Congresso a proposta de aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres.

Destaques

Radar Brasil

Crônicas da Escandinávia

Suécia: Políticos Sem Mordomia

Como vivem os políticos suecos

A Receita Sueca anti-Corrupção

Que país é este?

83%

dos suecos acreditam que os impostos revertem positivamente em serviços.

56%

dos suecos têm alta confiança em seus políticos.

81,7 anos

Expectativa de vida.

99%

de reciclagem de todo o lixo.

O site

Esse espaço foi criado para promover um debate sobre como é possível, com pequenos e grandes atos, resgatar uma cultura de respeito às regras, às leis e ao povo e melhorar as condições de vida para todos. O que funcionou na Suécia pode muito bem funcionar em outros países. É só querer.

O livro

A Suécia, há menos de 100 anos, era um país pobre, mas habitado por um povo determinado a sair da pobreza e do atraso. E conseguiu. O segredo – que não é segredo – é sempre o mesmo: investimento em educação, ciência, tecnologia, justiça, projetos nacionais integrados, que levam ao desenvolvimento com igualdade e justiça social.

A autora

Radicada na Suécia desde 2003, Claudia Wallin é graduada em Jornalismo pela UFRJ e mestre em Estudos sobre a Rússia e o Leste Europeu pela Universidade de Birmingham (UK). Foi repórter e redatora de O Globo até ir para a Inglaterra, onde atuou como diretora da International Herald Tribune TV, chefe do escritório da TV Globo em Londres e jornalista da BBC World Service.